A região dos pampas, no Rio Grande do Sul, é refém do agro-negócio, principalmente com a monocultura de eucalipto. Sendo assim, sua bacia hidrográfica e sua biodiversidade está sendo comprometida, e essa situação vem se agravando.
A área quilombola, que deve ser demarcada pelo INCRA, se faz, mais que nunca, um território legítimo de ocupação, de um povo que vive de forma integrada com o meio ambiente. E é por isso mesmo, que os representantes do agronegócio chegam em suas caminhonetes para intimidar qualquer forma de resistência por parte da comunidade quilombola.
Segue a reportagem abaixo:
A Comunidade do Quilombo de Palmas, na região de Bagé/RS, está sofrendo pressão de fazendeiros, que estão em vigília na entrada do quilombo há 15 dias. Representantes do Movimento Negro denunciaram ao Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa RS, ao Ministério Público Federal e Estadual, além de outros órgãos, esta presença ostensiva em via pública gerando constrangimentos e impedindo, inclusive, a entrada do INCRA para a realização do trabalho de demarcação da área.
Um documento elaborado pelos representantes do movimento negro, no dia 20, exige providências aos órgãos responsáveis, como a polícia federal, Secretaria de Segurança Pública do RS, Ministério Publico Federal e Estadual, a Procuradoria do Incra entre outros. Exige-se que estes órgãos garantam a integridade física e moral dos Quilombolas e das Lideranças da Associação, bem como, da defesa do território que se encontra com a presença dos ruralistas fiscalizando o movimento de quem passa para impedir que o INCRA acesse o quilombo.
Fonte: coletivocatarse.blogspot.com/2010/04/quilombo-de-palmas-cercado-pelos.html
Catarse é um coletivo de comunicadores comprometidos com a construção de alternativas que fortaleçam a cultura e o jornalismo independentes e enriqueçam o debate público em seus temas mais importantes.
Através de um trabalho autoral e engajado, se aproxima de movimentos e organizações que entendem a cultura como um direito humano e a comunicação como uma ação transformadora.
terça-feira, 27 de abril de 2010
sexta-feira, 2 de abril de 2010
Sustentabilidade na ordem do dia!
Alinhadas sob uma mesma perspectiva: a economia solidária, a reaplicação de tecnologias sociais e a Geração de Trabalho e Renda são elaboradas em lugares de todo o Brasil, através da Fundação do Banco do Brasil, pela própria comunidade local. É povo do semi-árido, da caatinga, do cerrado, das grandes cidades, das aldeias dos povos nativos, quilombola; o pré-requisito é justamente esse: promover transformações efetivas na vida dessas pessoas que se envolvem.
Unindo-se o conhecimento da vida toda àquele que chega por meio de cursos, capacitações, debates, seminários, assistência técnica, somando os recursos pré-existentes aos investimentos sociais aportados pela Fundação Banco do Brasil e parceiros, aos poucos se realizam projetos de mobilização social e necessariamente sustentáveis.
É claro que se trata de alternativas de inclusão dentro do perverso sistema capitalista, e que a ordem do dia será a revolução desse modo de produção até que a mesma seja feita, o que será, também , só o início para a reestruturação da sociedade. No entanto, o lugar e o momento de se pensar e criar novas relações sociais é aqui e agora, através de mobilizações sociais em que seus agentes se sintam ativos e transformadores do processo histórico.
Para o período 2010/2012 a Fundação Banco do Brasil terá como posicionamento estratégico, atuar priorizando ações sustentáveis de geração de trabalho e renda (com valorização do protagonismo do ser humano e respeito às diversidades regionais), buscando uma gradativa integração com os programas de educação e cultura, tendo como suporte o Banco de Tecnologias Sociais (BTS).
Conheça alguns projetos:
Tecnologia social, um caminho para o desenvolvimento sustentável
por Fernando Portella*
Tecnologia Social, por definição, "compreende produto, técnica ou metodologia reaplicável, desenvolvida na interação com a comunidade e que represente efetiva solução de transformação social".
A 5ª edição do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social (2009), finalizada dia 24 de novembro, completou uma década de reconhecimento a iniciativas sociais de desenvolvimento, apropriação e aplicação de tecnologias que impacta na vida das pessoas, especialmente comunidades com menor renda e menos acessos. O objetivo do prêmio é identificar, reconhecer e difundir tecnologias produzidas não só pela academia e instituições, mas, principalmente, os saberes e as práticas inovadoras desenvolvidas pelas comunidades em locais distantes para solucionar seus problemas.
Hoje, o Banco de Tecnologias Sociais já dispõe de mais de 450 tecnologias certificadas, prontas para reaplicação, disponíveis no sítio www.fbb.org.br. A utilização é livre para qualquer comunidade. Este ano, 695 iniciativas inscreveram-se para participar do processo de seleção e premiação, que ocorre a cada dois anos. Na primeira edição em 2001, foram 523 inscritos. Em 2003, 634 comunidades participaram. No ano de 2005, foram 658, e em 2007, 782 inscrições.
O Prêmio divide-se em 8(oito) categorias, cada uma das regiões do País e 3(três) temas, Direitos da Criança e do Adolescente e Protagonismo Juvenil, Gestão de Recursos Hídricos e Participação de Mulheres na Gestão de Tecnologias Sociais.
Destacam-se, entre os finalistas nesta edição, a iniciativa premiada pela Região Sul, conduzida por agricultores familiares que produzem e preservam sementes crioulas, na União das Associações Comunitárias do Interior de Canguçu (RS).
Num processo de cooperação, os pequenos agricultores descobrem na preservação da biodiversidade uma boa oportunidade de geração de renda, resgatando e preservando variedades de sementes em risco de extinção, principalmente de alimentos como milho e feijão.
Essa produção ocorre justamente na região do estado do Rio Grande do Sul, conhecida pela situação de pobreza e condições ambientais degradadas, provocadas em função do uso extenuante dos solos pelo latifúndio e pelas monoculturas, incorrendo até mesmo em processos de desertificação.
O desafio agora, além de superar o uso de tecnologias nocivas ao homem e ao ambiente como os transgênicos e os agrotóxicos, é massificar as tecnologias sociais, promovendo e estimulando seu uso e consolidação como políticas públicas que visem a inclusão social e o desenvolvimento sustentável.
*Arquiteto e urbanista, Mestre em Ciências da Construção e Arquitetura Tropical. Especialista em Gerência Executiva de Transportes e Mobilização. Atualmente é consultor da UNESCO, IICA e do PNUD em apoio a programas do Governo Federal.
Fonte: WWW.RUMOSDOBRASIL.ORG.BR
Data: 11/12/2009
Projeto Recicláveis
A iniciativa tem o objetivo de promover a inclusão social de catadores de resíduos sólidos, levando-os a uma inserção mais digna e autônoma na produção dos recicláveis.
Em 2004, a Fundação Banco do Brasil investiu em 75 projetos que beneficiaram, diretamente, cerca de 3.000 pessoas. Entre eles, a criação de uma usina para processamento de plástico, em Belo Horizonte, e a produção de caixas com bagaço de bananeira pela Cooperativa 100 Dimensão (DF).
De 2005 a 2008, as ações da Fundação evoluíram ao atendimento de quase 10.000 catadores por ano.
Outro exemplo, de 2009, é o convênio da FBB com a SENAES para investir R$ 16,8 milhões no fortalecimento da cadeia dos recicláveis por meio da capacitação técnica de mais de dez mil catadores, entre outras ações.
O edital de chamada de instituições para participar nesse processo foi lançado em audiência pública, realizada em 12/02/2009 em Brasília. Veja os termos e documentos do Edital no sítio do Ministério do Trabalho e Emprego na Internet: http://www.mte.gov.br/editais/.
Parcerias: Cáritas Brasileira, Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis-MNCR, Rede Unitrabalho, Rede de Incubadoras Tecnológicas de Cooperativas Populares (ITCP), ADS/CUT, Insea, Senaes/MTE e outras parcerias locais.
Projeto Piloto Alfabetização Quilombola
O traçado histórico de desigualdades sociais que marca o nosso país, sobretudo as que envolvem questões étnicas relacionadas a afro-descendentes, exige das instituições que pretendam promover o desenvolvimento social uma postura ativa e emergencial. A implementação de políticas que promovam esse desenvolvimento, seja a titulação de terras remanescentes de quilombos, os programas de autonomia agro-alimentar e desenvolvimento de outros sistemas produtivos, o fortalecimento da organização social ou a criação de escolas diferenciadas, dentre outras, passa por iniciativas que possibilitem o aprendizado da leitura e da escrita.
Nesse sentido, o Projeto Piloto Alfabetização Quilombola propôs-se a contribuir para o desenvolvimento socioeconômico de comunidades remanescentes de quilombos. Atuando junto ao povo gorutubano, localizado na região norte de Minas Gerais, tem como foco o desenvolvimento social, econômico e ambiental e a preservação dos valores culturais de seus integrantes, potencializando os resultados de outras ações voltadas para a sustentabilidade dessas comunidades.
Os gorutubanos, cerca de 7.000 pessoas, vêm convivendo com altas taxas de analfabetismo, precárias condições de moradia e produção, focos de doenças endêmicas, e índices de mortalidade infantil que se equiparam aos quadros mais calamitosos do mundo. Estão distribuídos em 27 comunidades, espalhadas em uma área de 47.000 hectares, abrangida pelos municípios de Catuti, Gameleira, Jaíba, Janaúba, Monte Azul, Pai Pedro e Porteirinha. Essa região, caracterizada pela seca e pela miséria, apresenta um IDH de 0,540, inferior aos encontrados no nordeste brasileiro (0,548), na China (0,642), na Mongólia (0,607), na Indonésia (0,586) e na Nigéria (0,583).
Para o desenvolvimento do Projeto foram capacitados 50 (cinqüenta) integrantes das próprias comunidades quilombolas, com o propósito de alfabetizar 450 (quatrocentos e cinqüenta) jovens e adultos,num período de 6 a 8 meses.
Além das ações de alfabetização foram feitos diagnósticos oftalmológicos e adquiridos óculos para os participantes do Projeto. Práticas de consumo sustentável de alimentos também estão sendo disseminadas, possibilitando a criação de uma rede de segurança alimentar e nutricional junto a essas comunidades, evidenciando a conjunção dos Programas BB Educar e Alimentação Sustentável, desenvolvidos pela FBB.
Projeto Alimentação Sustentável
O projeto Alimentação Sustentável, concebido pela Diretoria de Educação da FBB, alinha-se aos pressupostos enunciados na Agenda 21 para o Desenvolvimento Sustentável e aos 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, definidos pela Assembléia Geral da ONU, buscando resultados e benefícios nas dimensões humana, econômica e ambiental e articulando as estratégias priorizadas pela Fundação Banco do Brasil 2004-2006 ao contido na Constituição Federal e às políticas públicas do governo brasileiro para o desenvolvimento social e combate à fome.
O projeto se inscreve como proposta de tecnologia social e se constitui em um trabalho de educação e conscientização que propõe apresentar às populações ligadas aos programas da Fundação Banco do Brasil, maneiras simples e apropriadas de utilizar alimentos de baixo custo e alto valor nutritivo.
Propõe, também, contribuir com o Governo Federal para a interrupção do círculo vicioso da fome e para a promoção da segurança e da soberania alimentar em nosso país.
Objetivos
· Sensibilizar, esclarecer e mobilizar as comunidades para as questões de segurança e soberania alimentar;
· Orientar as pessoas no processamento de alimentos, de forma saudável, com segurança, qualidade e economia;
· Promover a saúde através de uma alimentação saudável e sustentável.
· Formar educadores.
A Fundação capacitará, de início, os educadores sociais de seus programas AABB Comunidade e BB Educar. Esses educadores disseminarão ações preventivas em saúde e orientação nutricional, práticas de consumo sustentável e ecologicamente responsável, criando uma rede de segurança alimentar e nutricional junto às comunidades onde os programas estão presentes.
Para conhecer mais: WWW.fbb.org.br
Unindo-se o conhecimento da vida toda àquele que chega por meio de cursos, capacitações, debates, seminários, assistência técnica, somando os recursos pré-existentes aos investimentos sociais aportados pela Fundação Banco do Brasil e parceiros, aos poucos se realizam projetos de mobilização social e necessariamente sustentáveis.
É claro que se trata de alternativas de inclusão dentro do perverso sistema capitalista, e que a ordem do dia será a revolução desse modo de produção até que a mesma seja feita, o que será, também , só o início para a reestruturação da sociedade. No entanto, o lugar e o momento de se pensar e criar novas relações sociais é aqui e agora, através de mobilizações sociais em que seus agentes se sintam ativos e transformadores do processo histórico.
Para o período 2010/2012 a Fundação Banco do Brasil terá como posicionamento estratégico, atuar priorizando ações sustentáveis de geração de trabalho e renda (com valorização do protagonismo do ser humano e respeito às diversidades regionais), buscando uma gradativa integração com os programas de educação e cultura, tendo como suporte o Banco de Tecnologias Sociais (BTS).
Conheça alguns projetos:
Tecnologia social, um caminho para o desenvolvimento sustentável
por Fernando Portella*
Tecnologia Social, por definição, "compreende produto, técnica ou metodologia reaplicável, desenvolvida na interação com a comunidade e que represente efetiva solução de transformação social".
A 5ª edição do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social (2009), finalizada dia 24 de novembro, completou uma década de reconhecimento a iniciativas sociais de desenvolvimento, apropriação e aplicação de tecnologias que impacta na vida das pessoas, especialmente comunidades com menor renda e menos acessos. O objetivo do prêmio é identificar, reconhecer e difundir tecnologias produzidas não só pela academia e instituições, mas, principalmente, os saberes e as práticas inovadoras desenvolvidas pelas comunidades em locais distantes para solucionar seus problemas.
Hoje, o Banco de Tecnologias Sociais já dispõe de mais de 450 tecnologias certificadas, prontas para reaplicação, disponíveis no sítio www.fbb.org.br. A utilização é livre para qualquer comunidade. Este ano, 695 iniciativas inscreveram-se para participar do processo de seleção e premiação, que ocorre a cada dois anos. Na primeira edição em 2001, foram 523 inscritos. Em 2003, 634 comunidades participaram. No ano de 2005, foram 658, e em 2007, 782 inscrições.
O Prêmio divide-se em 8(oito) categorias, cada uma das regiões do País e 3(três) temas, Direitos da Criança e do Adolescente e Protagonismo Juvenil, Gestão de Recursos Hídricos e Participação de Mulheres na Gestão de Tecnologias Sociais.
Destacam-se, entre os finalistas nesta edição, a iniciativa premiada pela Região Sul, conduzida por agricultores familiares que produzem e preservam sementes crioulas, na União das Associações Comunitárias do Interior de Canguçu (RS).
Num processo de cooperação, os pequenos agricultores descobrem na preservação da biodiversidade uma boa oportunidade de geração de renda, resgatando e preservando variedades de sementes em risco de extinção, principalmente de alimentos como milho e feijão.
Essa produção ocorre justamente na região do estado do Rio Grande do Sul, conhecida pela situação de pobreza e condições ambientais degradadas, provocadas em função do uso extenuante dos solos pelo latifúndio e pelas monoculturas, incorrendo até mesmo em processos de desertificação.
O desafio agora, além de superar o uso de tecnologias nocivas ao homem e ao ambiente como os transgênicos e os agrotóxicos, é massificar as tecnologias sociais, promovendo e estimulando seu uso e consolidação como políticas públicas que visem a inclusão social e o desenvolvimento sustentável.
*Arquiteto e urbanista, Mestre em Ciências da Construção e Arquitetura Tropical. Especialista em Gerência Executiva de Transportes e Mobilização. Atualmente é consultor da UNESCO, IICA e do PNUD em apoio a programas do Governo Federal.
Fonte: WWW.RUMOSDOBRASIL.ORG.BR
Data: 11/12/2009
Projeto Recicláveis
A iniciativa tem o objetivo de promover a inclusão social de catadores de resíduos sólidos, levando-os a uma inserção mais digna e autônoma na produção dos recicláveis.
Em 2004, a Fundação Banco do Brasil investiu em 75 projetos que beneficiaram, diretamente, cerca de 3.000 pessoas. Entre eles, a criação de uma usina para processamento de plástico, em Belo Horizonte, e a produção de caixas com bagaço de bananeira pela Cooperativa 100 Dimensão (DF).
De 2005 a 2008, as ações da Fundação evoluíram ao atendimento de quase 10.000 catadores por ano.
Outro exemplo, de 2009, é o convênio da FBB com a SENAES para investir R$ 16,8 milhões no fortalecimento da cadeia dos recicláveis por meio da capacitação técnica de mais de dez mil catadores, entre outras ações.
O edital de chamada de instituições para participar nesse processo foi lançado em audiência pública, realizada em 12/02/2009 em Brasília. Veja os termos e documentos do Edital no sítio do Ministério do Trabalho e Emprego na Internet: http://www.mte.gov.br/editais/.
Parcerias: Cáritas Brasileira, Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis-MNCR, Rede Unitrabalho, Rede de Incubadoras Tecnológicas de Cooperativas Populares (ITCP), ADS/CUT, Insea, Senaes/MTE e outras parcerias locais.
Projeto Piloto Alfabetização Quilombola
O traçado histórico de desigualdades sociais que marca o nosso país, sobretudo as que envolvem questões étnicas relacionadas a afro-descendentes, exige das instituições que pretendam promover o desenvolvimento social uma postura ativa e emergencial. A implementação de políticas que promovam esse desenvolvimento, seja a titulação de terras remanescentes de quilombos, os programas de autonomia agro-alimentar e desenvolvimento de outros sistemas produtivos, o fortalecimento da organização social ou a criação de escolas diferenciadas, dentre outras, passa por iniciativas que possibilitem o aprendizado da leitura e da escrita.
Nesse sentido, o Projeto Piloto Alfabetização Quilombola propôs-se a contribuir para o desenvolvimento socioeconômico de comunidades remanescentes de quilombos. Atuando junto ao povo gorutubano, localizado na região norte de Minas Gerais, tem como foco o desenvolvimento social, econômico e ambiental e a preservação dos valores culturais de seus integrantes, potencializando os resultados de outras ações voltadas para a sustentabilidade dessas comunidades.
Os gorutubanos, cerca de 7.000 pessoas, vêm convivendo com altas taxas de analfabetismo, precárias condições de moradia e produção, focos de doenças endêmicas, e índices de mortalidade infantil que se equiparam aos quadros mais calamitosos do mundo. Estão distribuídos em 27 comunidades, espalhadas em uma área de 47.000 hectares, abrangida pelos municípios de Catuti, Gameleira, Jaíba, Janaúba, Monte Azul, Pai Pedro e Porteirinha. Essa região, caracterizada pela seca e pela miséria, apresenta um IDH de 0,540, inferior aos encontrados no nordeste brasileiro (0,548), na China (0,642), na Mongólia (0,607), na Indonésia (0,586) e na Nigéria (0,583).
Para o desenvolvimento do Projeto foram capacitados 50 (cinqüenta) integrantes das próprias comunidades quilombolas, com o propósito de alfabetizar 450 (quatrocentos e cinqüenta) jovens e adultos,num período de 6 a 8 meses.
Além das ações de alfabetização foram feitos diagnósticos oftalmológicos e adquiridos óculos para os participantes do Projeto. Práticas de consumo sustentável de alimentos também estão sendo disseminadas, possibilitando a criação de uma rede de segurança alimentar e nutricional junto a essas comunidades, evidenciando a conjunção dos Programas BB Educar e Alimentação Sustentável, desenvolvidos pela FBB.
Projeto Alimentação Sustentável
O projeto Alimentação Sustentável, concebido pela Diretoria de Educação da FBB, alinha-se aos pressupostos enunciados na Agenda 21 para o Desenvolvimento Sustentável e aos 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, definidos pela Assembléia Geral da ONU, buscando resultados e benefícios nas dimensões humana, econômica e ambiental e articulando as estratégias priorizadas pela Fundação Banco do Brasil 2004-2006 ao contido na Constituição Federal e às políticas públicas do governo brasileiro para o desenvolvimento social e combate à fome.
O projeto se inscreve como proposta de tecnologia social e se constitui em um trabalho de educação e conscientização que propõe apresentar às populações ligadas aos programas da Fundação Banco do Brasil, maneiras simples e apropriadas de utilizar alimentos de baixo custo e alto valor nutritivo.
Propõe, também, contribuir com o Governo Federal para a interrupção do círculo vicioso da fome e para a promoção da segurança e da soberania alimentar em nosso país.
Objetivos
· Sensibilizar, esclarecer e mobilizar as comunidades para as questões de segurança e soberania alimentar;
· Orientar as pessoas no processamento de alimentos, de forma saudável, com segurança, qualidade e economia;
· Promover a saúde através de uma alimentação saudável e sustentável.
· Formar educadores.
A Fundação capacitará, de início, os educadores sociais de seus programas AABB Comunidade e BB Educar. Esses educadores disseminarão ações preventivas em saúde e orientação nutricional, práticas de consumo sustentável e ecologicamente responsável, criando uma rede de segurança alimentar e nutricional junto às comunidades onde os programas estão presentes.
Para conhecer mais: WWW.fbb.org.br
Somos o que comemos?
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Alimentos contaminados
por Silvio Caccia Bava
O Brasil é o maior mercado de agrotóxicos do mundo e representa 16% da sua venda mundial. Em 2009, foram vendidas aqui 780 mil toneladas, com um faturamento estimado da ordem de 8 bilhões de dólares. Ao longo dos últimos 10 anos, na esteira do crescimento do agronegócio, esse mercado cresceu 176%, quase quatro vezes mais que a média mundial, e as importações brasileiras desses produtos aumentaram 236% entre 2000 e 2007. As 10 maiores empresas do setor de agrotóxicos do mundo concentram mais de 80% das vendas no país.
Esses produtores viram ameaçadas suas novas metas de faturamento com o anúncio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de que se propõe a reavaliar o uso de 13 produtos agrotóxicos, vários deles já proibidos há anos nos EUA, na União Europeia, e em países como Argentina, Nigéria, Senegal, Mauritânia, entre outros, como o acefato e o endossulfam. Os motivos dessa proibição são evidentes, a contaminação de alimentos, de trabalhadores rurais, e do meio ambiente, causando, literalmente, o envenenamento dos consumidores, a morte de trabalhadores rurais e a destruição da vida animal e vegetal.
Em solicitação ao Ministério Público para a proibição de um desses agrotóxicos – o Tamaron – os então deputados federais Fernando Dantas Ferro, Adão Preto e Miguel Rosseto denunciam que 5 mil trabalhadores rurais morrem, a cada ano, intoxicados por venenos agrícolas, sendo que muitos mais são afetados de maneira grave pela ingestão dos componentes químicos desses produtos.
Frente à disposição da Anvisa de reavaliar produtos como Gramoxone, Paraquat, Tamaron, Mancozeb, Monocrotfos, Folidol, Malation e Decis, o Sindag – Sindicato das Indústrias de Defensivos Agrícolas – recorreu ao Judiciário, solicitando que não sejam publicados os resultados das reavaliações. Houve mesmo iniciativas no Judiciário que pretendiam proibir os estudos da Anvisa que verificavam a segurança das substâncias de 99 agrotóxicos.
O fato é que o setor ruralista, com o Ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes à frente, a bancada ruralista e os fabricantes de agrotóxicos se puseram a campo contra a iniciativa da Anvisa, e mesmo contra a própria Anvisa e o seu papel fiscalizador. Segundo documento obtido pela ABRANDH – Ação Brasileira pela Nutrição e Direitos Humanos, o Ministério da Agricultura quer ser o responsável pela avaliação e registro dos produtos agrotóxicos.
Para Rosany Bochner, especialista em toxicologia da Fiocruz, instituição parceira da Anvisa no trabalho de reavaliação dos agrotóxicos, “o Brasil está virando um grande depósito de porcarias. Os agrotóxicos que as empresas não conseguem vender lá fora, que têm indicativo de problemas, são empurrados para a gente”.1
Em 2002, com o início do funcionamento do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos, coordenado pela Anvisa, surgiram informações preocupantes. Das 1.198 amostras recolhidas em nível nacional, 17,28% apresentavam índices de contaminação acima do permitido para se preservar a saúde. O tomate, o morango e a alface são os mais contaminados. Se você come amendoim, batata, brócolis, citros, couve, couve-flor, feijão, melão, pimentão, repolho, entre outros alimentos, cuidado! Eles contêm acefato, um agrotóxico que pode causar danos ao cérebro e ao sistema nervoso e provocar câncer no longo prazo. O acefato é proibido em toda a União Europeia.
Segundo o IDEC – Instituto de Defesa do Consumidor, “o consumidor brasileiro está exposto a um risco sanitário inaceitável, que exige medidas rigorosas dos órgãos governamentais responsáveis, inclusive com a punição dos infratores”.
Essa denúncia decorre do levantamento e análise da Anvisa, feito de junho de 2001 a junho de 2002, onde nada menos que 81,2% das amostras analisadas (1051 casos) exibiam resíduos de agrotóxicos e 22,17% apresentavam índices que ultrapassavam os limites máximos permitidos.
Atualmente os agrotóxicos estão em reavaliação tanto pela Anvisa, quanto pelos Ministérios da Saúde e Meio Ambiente. E espera-se que até o final do ano seja divulgada uma nova lista dos agrotóxicos que podem continuar sendo vendidos e os que serão banidos do território brasileiro.
Ainda não existe uma ação integrada desses organismos públicos responsáveis por essa tarefa de fiscalização, mas segundo Agenor Álvares, diretor da Anvisa, a integração é algo indispensável, até para enfrentar a proposta do setor ruralista, que é inaceitável.
Silvio Caccia Bava é editor de Le Monde Diplomatique Brasil e coordenador geral do Instituto Pólis.
1 Folha de São Paulo, 17/07/2008.
Fonte: Le Monde diplomatique, edição 33 - Abril 2010
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